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O quadro clínico descreve um homem de 62 anos com rebaixamento do nível de consciência, febre e desidratação grave no contexto de uma emergência oncológica. O cálcio total de 14 mg/dL confirma uma hipercalcemia grave e sintomática. Os principais efeitos da hipercalcemia no organismo envolvem três sistemas primordiais:
- Neurológico: Letargia, sonolência e quadros comatosos.
- Renal: Indução de diabetes insipidus nefrogênico, gerando poliúria acentuada, desidratação profunda e lesão renal aguda.
- Cardiovascular: Encurtamento do intervalo QT, bradicardia e arritmias cardíacas potencialmente fatais.
O uso combinado e precoce de soro e furosemida (diurético de alça) é uma prática antiga que tem caído em desuso e carece de evidências científicas robustas.
A conduta terapêutica correta deve seguir os seguintes critérios:
- Expansão volêmica vigorosa: É a conduta prioritária e fundamental. Deve-se instituir a hidratação venosa para restaurar a volemia e permitir que o próprio rim excrete o excesso de cálcio. Medicações definitivas, como os bisfosfonados (ou diálise, em casos extremos), devem ser aguardadas após a estabilização hídrica.
- Uso restrito da furosemida: O diurético de alça não deve ser usado com o objetivo de baixar o cálcio, mas sim para manejar ou prevenir a sobrecarga volumétrica (hipervolemia ou oligúria), especialmente em pacientes idosos ou com disfunção cardíaca. Nunca deve ser administrado antes que o paciente esteja adequadamente expandido.
- Monitorização de eletrólitos: A furosemida pode espoliar outros íons, causando hipopotassemia e hipomagnesemia. O manejo inadequado desses eletrólitos em um miocárdio já fragilizado pela hipercalcemia aumenta drasticamente o risco de arritmias graves.
- Contraindicação absoluta dos tiazídicos: Diuréticos tiazídicos (como a hidroclorotiazida) aumentam a reabsorção tubular de cálcio e agravam a hipercalcemia. Se o paciente estiver utilizando essa classe de medicamento, ela deve ser suspensa imediatamente.
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