Icterícia na 2ª Semana de RIPE

Icterícia na 2ª Semana de RIPE

Dr. Aarão Barreto desmistifica a hepatotoxicidade do esquema RIPE na tuberculose. Aprenda a diferenciar a icterícia benigna da hepatite real usando a regra do 3 e 5 para suspensão e saiba quando agir. Siga-nos para mais episódios!

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O Desafio Clínico: Paciente com tuberculose na segunda semana do esquema RIPE evolui com urina alaranjada, sonolência, fraqueza, icterícia e elevação de transaminases (TGO/TGP) e bilirrubinas.

Mecanismo de Ação e Interação de Drogas: A rifampicina inibe a síntese de RNA mensageiro bacteriano. No fígado, ela compete pelos receptores de eliminação da bilirrubina e é um potente indutor do citocromo P450, acelerando o metabolismo da isoniazida e gerando mais metabólitos hepatotóxicos.

Diferenciação Crítica: Icterícia Isolada vs. Hepatite Verdadeira

  • Icterícia Isolada: Fenômeno transitório e adaptativo por competição da rifampicina com a bilirrubina. Há aumento de bilirrubina, mas sem elevação significativa de transaminases. Não há necrose celular; o tratamento deve ser mantido sob vigilância.
  • Hepatite Medicamentosa: Lesão tóxica real com morte celular maciça por acúmulo de metabólitos reativos. Apresenta elevação importante de transaminases.

Critérios de Ouro para Suspensão(Regra do 3 e 5):

  • Com sintomas(náuseas, icterícia, dor abdominal): Suspender se transaminases estiverem ge 3 vezes o limite superior da normalidade.
  • Sem sintomas(assintomático): Suspender se transaminases estiverem ge 5 vezes o limite superior da normalidade.
  • Bilirrubina total: Maior que 2 mg/dL também liga o sinal de alerta para suspensão.

Fatores de Risco: Idade avançada, desnutrição, alcoolismo, hepatopatias prévias e o sinergismo intrínseco do esquema (rifampicina + isoniazida + pirazinamida). Manejo Pós-Suspensão: As enzimas tendem a normalizar em 1 a 4 semanas. A reintrodução deve ser gradual e cautelosa. Em casos refratários ou graves, utilizam-se esquemas alternativos (ex: etambutol, quinolonas, aminoglicosídeos). Mito da Cor Alaranjada: A coloração alaranjada da urina, suor, saliva e lágrimas é apenas um efeito cromático inócuo de um metabólito da rifampicina, sem significado patológico. Conheça nosso guia de Antibioticoterapia: https://www.utixperts.com.br/sp/e-book-antibiticos

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Aarão Barreto

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